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Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Otimismo e Esperança


Hoje não há razões para otimismo.
Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural. Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo.
A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas.
Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas.
Nas pequenas coisas ela floresce.
Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos ao nos aproximarmos do século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões.
A possibilidade da esperança...


Rubem Alves

Trecho da crônica Sobre o Otimismo e a Esperança, publicado originalmente no livro Concerto para Corpo e Alma (Ed. Papirus).

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